Entrevistas
Entrevista Exclusiva com o Confronto | Entrevista Exclusiva com o Confronto |
| Por Glaucio x | |||
| 24 de September de 2008 | |||
![]() Uma das principais e mais ativas bandas do cenário Nacional, Confronto, banda que tem uma bagagem de mais de 10 anos de estrada fala exclusivamente com o DDF sobre suas músicas, ideologia e o lançamento do novo e "matador" full-length, Sanctuarium. Confirá! Em um breve release sobre o CD, vocês falam de uma nova fase vivida pela banda.que fase seria esta?
Falamos em uma fase de organização, estrutura, conquistas, não só para a banda, mas pra toda a cena que nos cerca. Falo em uma nova forma de fazer turnês no Brasil, uma outra estrutura de shows, uma nova forma de pensar a cena que temos aqui no Brasil seja ela metal, punk ou hardcore. Hoje acho que estamos mais maduros, com pés no chão e mais realistas do que anos atrás. Durante o processo de criação de SANCTUARIUM nos pensamos muito sobre o que poderíamos fazer e quais rumos tomar e agora estamos prontos pra pôr em prática. O que podemos notar de diferente no álbum? Olha... Eu acho que cada pessoa tem a sua forma de interpretar o CD. Com certeza esse CD está melhor produzido, com mais detalhes tanto na execução quanto na parte técnica, pois tivemos tempo suficiente para pensarmos exatamente o que queríamos fazer. Acho também que a sonoridade está dentro da nossa nova realidade, buscamos os timbres e sonoridades novas na tentativa de atingir o mesmo grau de energia que alcançamos nos shows. Acho que SANCTUARIUM também está mais direcionado no que diz respeito às letras. 3 - Quanto ao título do CD, porque do nome Sanctuarium?SACTUARIUM vem da idéia que temos das periferias do Brasil como um verdadeiro santuário onde morreram os nossos antepassados escravos e índios. Esse CD é uma espécie de homenagem a todo povo pobre brasileiro que morreu na escravidão e uma homenagem a todos que continuam a viver essa herança de perdas e sofrimento que até hoje ainda nos persegue no dia a dia. 4 - Patrick Wittstock da "Azrael Design" assina a arte do encarte que por sinal, é uma bela arte. Como surgiu a possibilidade de trabalhar com ele que já participou das artes de Calliban, Heaven Shall Burn entre outras? Ele já trabalhou em outros projetos gráficos com a gente no passado, mas foram trabalhos realizados na Europa. Desta vez surgiu a possibilidade de trabalharmos com ele para um projeto maior que envolve todo trabalho gráfico: o CD SANCTUARIUM incluindo design para o novo merchandising, myspace, pôster promocional, etc. Ele sempre disse ter admiração pelo CONFRONTO e curtiu muito trabalhar com a gente em cima de idéias que são muito novas para cultura dele. Nos fale do simbolismo do encarte e como surgiu a idéia? A gente tinha a idéia de mostrar o espírito guerreiro do passado nos dias atuais e traçar esse paralelo entre a escravidão do passado e a escravidão contemporânea, achamos que o que simboliza essa idéia perfeitamente é a historia de vida de Zumbi dos Palmares, por isso utilizamos a sua imagem como guerreiro na capa do CD. Como foi o processo de composição (tanto letra quanto riffs)? Foi relativamente lento, porque conciliamos sempre o período de composição com shows, mas tudo fluiu muito bem. A verdade é que a gente já tem um entrosamento muito bom e um método de composição que funciona muito bem... Já temos as idéias em mente e todos nós já sabemos exatamente o que queremos, sendo assim fica tudo mais fácil. Primeiro fazemos as músicas e depois o Chehuan encaixa as letras, normalmente nessa ordem. As letras são escritas por mim e pelo Chehuan separadamente. A parceria entre Confronto e o produtor Davi Baeta (responsável pela mixagem e masterização) já existe há algum tempo. Como isso se sucedeu? O Davi sempre foi nosso amigo e sempre acompanhou a evolução da banda e nos ajudou muito nesse processo. É um ótimo profissional, eu acho que é o melhor aqui no Brasil no que diz respeito à produção de bandas que fazem um som mais pesado, pois alem da técnica, ele tem um vasto conhecimento do tipo de som que grava e no nosso caso já criamos um entrosamento muito grande e funciona como se fosse um quinto integrante do CONFRONTO. Devido à grande procura pelo Sanctuarium, vocês decidiram antecipar a venda do novo álbum. O público do Confronto sempre foi muito participativo? Quais os locais onde o público sempre comparece aos shows e vocês saem satisfeitos? Então... Não podemos reclamar da galera que curte o Confronto, pois estão sempre junto de nós, nos acompanhando e nos ajudando e digo isso, porque todos os nossos CD’s tiveram ótimas vendagens e nossos shows são sempre muito calorosos. Sempre podemos contar com eles pra tudo e em todos os lugares por onde já passamos. Não poderíamos citar lugares, pois seria injusto, pois por onde passamos fomos e ainda somos muito bem recebidos e ficamos muito felizes com isso! Qual música deste álbum que mais representa esta fase de brutalidade e covardia humana que temos presenciado mundialmente? Fica difícil pra nós dizermos isso, porque as letras tratam de temas bem específicos e todos eles tratam dessa brutalidade de alguma maneira. Acho que não existe o menos e o mais brutal, pois todas as formas de agressão contra o povo e contra a natureza se voltam em forma de brutalidade contra toda a população de maneira geral e nós tratamos justamente desses assuntos que poucas pessoas gostam de falar, mas que na nossa opinião não podem passar desapercebido. Vocês estão com uma agenda repleta de shows pela Europa. É sempre uma surpresa tocar fora do país, ou já estão acostumados mediante a tantos anos de banda? Acostumados nós estamos, mas é sempre uma expectativa diferente e é algo que gostamos muito de fazer. Podemos dizer que a turnê é a melhor parte de se tocar em uma banda. Atualmente a banda consegue viver somente dos shows?Sim, o CONFRONTO se sustenta apenas com shows. Muitos sabem que a banda está ligada primordialmente a ideologia Straight Edge e veganismo. Todos são adeptos desde o início da banda? Como chegaram até esta informação? Sim, todos nós somos Straight Edges, mas nem todos são vegans e já tínhamos esse estilo de vida antes de montarmos a banda. A informação chega, né? De um jeito ou de outro... Na época era mais difícil, pois não havia internet e todos esses recursos eletrônicos que facilitam a vida da galera, então as coisas eram um pouco mais difíceis, mas quando já existe uma identificação pela idéia, pela cultura, pelo estilo de vida, você acaba se aprofundado e querendo saber mais e participar de algum modo e com a gente não foi diferente, pois éramos praticamente adolescentes e envolvidos com a cultura hardcore, descobrindo e redescobrindo muitas coisas. A cena SxE tem crescido bastante e vocês são sempre referência tanto para bandas novas quanto pessoas que buscam informações sobre isso. O que isso representa pra vocês? Olha... Eu particularmente não gosto muito dessa idéia de ser referência para os outros não. Acho que as pessoas devem procurar os seus próprios caminhos. Claro, tudo tem seu ponto de partida, mas acho que as pessoas devem olhar as coisas sob as suas próprias perspectivas. Queremos que as pessoas pensem por si próprias e não se tornem robôs que apenas seguem pessoas, porque cada um tem a sua forma de interpretar o cotidiano e as coisas que o cercam. Nunca foi a intenção do CONFRONTO impor idéias pra serem seguidas, mas sim expressar idéias que são nossas e fazer com que as pessoas reflitam de alguma maneira sobre elas. Nós não somos os donos da Razão e nenhum Messias que conduzirá as pessoas à salvação. Há quanto tempo são SxE (cada integrante)? Perceberam alguma mudança pessoal? Então, é difícil dizer, porque não conto o tempo para marcar, mas com certeza pra mais de 10 anos. As mudanças acontecem e estão diretamente ligadas à maturidade, né? Isso acontece com todos e em relação a tudo na vida. Mas basicamente somos os mesmos desde o início, porque acredito que tudo que é verdade fica dentro de você e a gente sempre foi verdadeiro com nós mesmos. O que acham da cena (underground) nacional atualmente? Tem muita coisa boa e muitas coisas ruins também, mas acho que no geral tudo esta fluindo melhor do que em tempos atrás. Mas a verdade é que com a nossa correria do dia a dia fica difícil acompanhar de perto e saber o que está acontecendo exatamente, de repente o que eu posso achar que está indo bem, pode não estar tão bem assim, né? Só tenho conhecimento amplo da parte do underground que cerca o Confronto, mas isso é apenas uma p0equena parte. Existem várias outras partes que a gente não tem acesso. Mas me parece que as coisas estão funcionando bem melhor hoje em dia. Nas letras vocês retratam sempre as questões sobre libertação e harmonia. Vocês já pensaram em integrar algum movimento ou já o fazem? Pensar, já pensamos em muitas coisas. Fazer, a gente já fez algumas. Mas a realidade é que a gente é uma banda de metal/ hardcore e não um partido político, ONG ou grupo guerrilheiro. Tudo é muito complicado onde a gente mora e nem sempre o que a gente faz realmente ajuda em algum aspecto o ideal. Tentamos passar as nossas idéias para o maior número de pessoas para que elas reflitam e a partir daí algo possa ser feito em conjunto, nem que seja somente dentro do underground. Acreditamos que quando se acredita em algo, cada movimento é importante e às vezes uma simples conversa, um olhar, uma letra, uma palavra, possa fazer mais efeito na vida de uma pessoa do que todo um movimento encorpado e pra quem não tem nada, todo passo que leva a algum lugar é algo importante. Como toda banda com propósito, O que vocês têm observado e repudiado atualmente? Eu acho que seria muita coisa para colocar aqui na entrevista, definitivamente o espaço seria pouco, pois está tudo errado politicamente, religiosamente e socialmente falando. Vocês têm tempo pra ouvir outras bandas? Quais?Poucas coisas. Acho que unanimidade entre os integrantes do Confronto é: Te Voy a Quebrar, D.E.R, Ayat Akrass e Bandanos. Felipe também integra a banda Norte Cartel... Será que os shows do confronto não irão atrapalhar os shows com o Norte Cartel? Com certeza não. Nós organizamos as agendas de uma banda com a outra para não termos problemas de datas. Já aconteceram algumas surpresas durante as turnês? Muitas coisas boas, engraçadas e estranhas, Mas são tantas coisas que fica até difícil agente citar uma aqui assim, né? Por serem Latinos, ainda existe alguma resistência pelo público quando realizam shows fora do País? Olha... Isso é algo que deve acontecer lá fora de alguma maneira, mas posso te dizer que até hoje nunca aconteceu com a gente, muito pelo contrário. Acontece do público ficar muito curioso em relação à nossa cultura, querem conhecer as nossas bandas e saber como são as coisas por aqui. Na Europa nós somos meio exóticos, né? Isso desperta curiosidade no início e depois todos tratam a gente como se fossemos locais e com isso tudo nós fazemos questão de nos mostrar como latinos que somos e falarmos de nossa cultura pra eles, mesmo que às vezes tenhamos que falar das coisas ruins, porque nós também não vamos mentir pra eles, né? E por aqui nem tudo são flores, muito pelo contrário... Se a gente for ver bem mesmo, nós temos mais coisas tristes pra contar do que alegrias, mas é assim, né? Fazer o quê? O que acham do trabalho do grupo PETA? Muito bom! Somos apoiadores diretos, divulgadores, contribuímos e valorizamos em 100% o seu trabalho. Assim como o PETA, a Animal Liberation também é bastante ativa, porém atua com muito mais rigorosidade. Vocês acham que suas ações "radicais" são realmente necessárias?Achamos sim. Acreditamos que todo método é valido para se salvar vidas e se o diálogo e os meios legais não funcionam algo tem que funcionar, então que seja a violência. Quando se tem milhões em dinheiro envolvido e muitos interesses financeiros em jogo, fica difícil o diálogo legal e a aceitação daquele que oprime e mata por lucro. Mas algo tem que ser feito, porque enquanto se conversa, vidas estão sendo perdidas sejam elas humanas ou não-humanas. Então algo tem que ser feito como medida imediata e pra isso existem organizações como essa. Qual o maior medo de vocês? Quando não se tem nada, não há muitos motivos para se temer. Pra finalizar, o que seria a utopia ideal pra cada um? Olha... Posso responder por mim. Sou uma pessoa desapegada que aprecia os pequenos movimentos da vida. Gosto das coisas simples e de certa forma, mesmo não enxergando, procuro ver beleza nas coisas mais sombrias e escuras. Sou um observador por natureza. Acho que por isso o CONFRONTO dá tão certo no que diz respeito ao entrosamento entre os seus integrantes, porque cada um à sua maneira acredita e vê as coisas com os mesmos olhos de simplicidade. É a lógica do sim e do não, possível e impossível. Acho que a utopia ideal seria se as pessoas vivessem pelo simples e conseguissem viver o momento entendendo que a felicidade não existe. Pelo menos não essa felicidade futura que todos buscam. Porque eu acho que os raros momentos de felicidade que temos na vida aparecem justamente na busca e não na conquista, porque a conquista é só uma parte, depois dela vem sempre mais. Eu acredito na simplicidade de se viver, Mas acho que pra se chegar a isso, muita guerra será feita e muito caos será vivido e infelizmente no final a paz será imposta pela morte. Muito obrigado pelo espaço. O CONFRONTO agradece de coração pela oportunidade. Perguntas respondidas por Felipe Ribeiro (baterista).
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escrito por Gabriel.Holliver on September 25, 2008 Confronto e foda pra caralho! Sanduário do Caos
escrito por José Marti on September 25, 2008 Excelente entrevista, uma bela abordagem sobre a banda e suas aventuras, ideais, registros e afins. Não sou nenhum critico da cena hardcore/metal, mas essa banda é a melhor que tem no Brasil, isso em todos os aspectos. Postura sem frescura, álbuns arrasadores, e as apresentações nem se fala, só assistindo para saber o que essa banda é capaz de realizar sobre um palco. Posso falar que aterrorizaram o Napalm Death em um show em São Paulo, em uma antiga apresentação ao lado do Constrito (rip) destruíram a Lapa, com o 25 Ta Life no Jabaquara foi algo para ficar registrado nos anais da história do hardcore brasileiro, tempos atrás ao lado do Nueva Ética colocaram o galpão do Jabaquara em estado de atenção por altíssima vibração, menção honrosa para a ótima banda de Santos o Life By The Fist (para desespero do Moésio), que não deixaram por menos no quesito brutalidade sonora e energia. E não para por aí. Um salve para a página Dias de Fúria, sempre em frete. foda!!!
escrito por claudio FROM HEAD on September 25, 2008 O Confronto é a banda q colocou o Metal nacinal de volta na rota internacional a banda mais profissa da cena merecem estar onde estao e entrevista foda por sinal ddf cada vez melhor BH
escrito por Marcelo (Buried By Honor) on September 25, 2008 Eles têm que colar aqui em BH enquanto antes. A galera tá seca pra brutalizar ao som de xCONFRONTOx Fino a reportagem! (como sempre) Parabéns pro xCx |
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