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Fotografia Underground
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Por Rosalia Cipriano   
27 de August de 2008


Questions(por trezeta)


A caça ao clique perfeito, alguns fotógrafos aventuram-se nos mais variados ambientes, do punk ao grunge, do metal ao hardcore; fotografar o rock é um desafio para nosso olhar. Por trás das lentes do Underground eles registram cada momento, cada berro, cada mosh, eles são os olhos de que não está presente.

O DDF bateu um papo com quatro dos mais influentes fotógrafos do underground paulista, sobre suas experiências profissionais e principalmente para falar sobre como eles vêem a cena atual.

TREZETA



DDF: A influência do convívio, e a liberdade de ir e vir em ensaios, shows, bastidores contribuíram para a escolha da profissão ou fotografar shows de rock foi uma opção comercial?

È difícil dizer que é uma opção comercial, até porque eu cobro mais um valor simbólico, bem longe do meu preço normal de saída (trabalho com fotografia em outros seguimentos), então acaba sendo mais pelo movimento do que pela grana. È muito loco acompanhar as bandas de perto,no roles, nos camarins, e tirar daqueles momentos de fúria as melhores poses possíveis. Me sinto com se estivesse contribuindo pra que aquela expressão do momento dure pra sempre, e fico feliz quando eu vejo que o publico da banda que não estava lá consegue sentir também, é como se minha câmera também fizesse "um som pesado", e isso é rock'n roll!

DDF: Sabemos que dificilmente as bandas posam para foto, a não ser em Fotos Promo. Como captar a emoção, e a energia em fotos sem movimento?

No caso da foto promo, o movimento num é característica mais forte, mas emoção está na expressão do rosto, gestos com as mãos e braços, e o background ajuda muito também. A banda tem que estar disposta a fazer o que o fotografo manda, pique modelinho, sabe? Geralmente sai um resultado bacana. Têm bandas que já estão mais acostumadas e assim sai bem mais fácil.

DDF: Como as suas lentes enxergam a atual cena underground?

Já vi momentos melhores e piores da cena, as vezes eu penso que sempre vai ser assim... Por mais que as bandas tentem crescer, parece que o publico não está muito afim de que elas cresçam. Vi gente juntar grana o ano todo pra ver uma banda gringa, e reclamar pra pagar 10 conto pra ver uma banda daqui, isso quando não vão no role só porque é "OPEN BAR". Se o publico ajudasse mais o movimento ,tudo ia ser mais bacana, desde qualidade de som a qualidade das casas, o que influencia diretamente no conteúdo fotográfico. Eu pretendo continuar contribuindo com minha lente da melhor maneira possível.


Para conferir os trabalhos na íntegra do Trezeta acesse: Flickr | Fotolog


RODRIGO BERTOLINO



DDF: Nos bastidores dos shows muita coisa acontece. Qual a sensação de possa fotografar sem atrapalhar o trabalho dos músicos e passar despercebido por cima de um palco tão barulhento?

Na verdade eu me preocupo em não atrapalhar o show como um todo, isso envolve os músicos e principalmente a galera que está assistindo o show.
Quanto ao fato de passar despercebido no palco eu até prefiro, estou ali pra registrar os momentos, o espetáculo e todos os olhos estão voltados pra banda, ninguém vai a um show para ver um fotógrafo em ação.
Agora, uma coisa curiosa que acontece comigo é que quando estou fotografando um show, eu não presto muita atenção nas músicas, fico totalmente concentrado nos detalhes, atento ao movimento dos músicos, esperando um momento bacana a ser "clickado" e registrado.

DDF: Tudo é rápido, dinâmico, é muito importante ficar atento a tudo, inclusive à empolgação do público. De que forma você definiria a qualidade desse publico levando em consideração os fatores: faixa etária, estilo e freqüência nos shows?

Com relação à qualidade do público nos shows, eu não procuro me ater muito a definições, eu parto do princípio de que se a pessoa está ali assistindo o show é porque de algum modo ela está interessada. Idade, estilo, ou freqüência nos shows é irrelevante, desde que se esteja curtindo o show acho que já é o suficiente, tanto pros músicos quanto pro espectador; pois na verdade, é isso que ambos os lados esperam: boa musica e o um público satisfeito (afinal o público é uma extensão da banda e não existe show sem ele).

DDF: Como as suas lentes enxergam a atual cena underground?

A cena underground vem numa crescente já não é de hoje, muitas bandas surgindo e cada vez mais espaço pra elas aparecerem, seja por meio da divulgação via internet ou em algumas casas de show, porém, a meu ver falta um pouco de profissionalismo por parte de algumas bandas, que por culpa destas novas facilidades, não levam a banda a sério, ou seja, não investem na banda, ou não dão a devida atenção a mesma, é uma pena.... Como em todos os segmentos de qualquer profissão/carreira há pessoas desse tipo. O rock continua mesmo assim...

Para conferir os trabalhos na íntegra do Rodrigo acesse: Flickr | Fotolog


MAURICIO SANTANA



DDF: A adrenalina do show é contagiante. Como é possível se livrar dos encontrões, empurrões e cotoveladas fazendo deles ótimos registros fotográficos?

Realmente a adrenalina é fenomenal, não tem nem como discordar disso, agora esta pergunta muita gente me faz, porque meu tipo de foto é quase sempre pertinho da banda, no meio da multidão e tudo mais, eu costumo dizer que tenho um ótimo reflexo, acho que poderia se resumir a isso, pois não é fácil fugir de toda esta agitação, mas creio eu que isso tudo se deve ao fato de eu ter um excelente reflexo.

DDF: Seja no Hangar ou no Inferno, os seus clicks estão sempre presentes. De que maneira você avalia as condições dos ‘palcos’ fotográficos onde rola os principais shows da cena?


É, procuro sempre estar nos shows, adoro clicar, então sempre faço o possível pra sempre estar clicando estes eventos. Particularmente sempre gostei de palcos baixos, não me agrada palcos "altos" como o do Hangar ou do Inferno, mas mesmo assim adoro clicar nestes locais, pra shows de Hardcore, prefiro palcos como o da Outs, ou o do Galpão do Jabaquara, agora pra shows mais calmos, acho que palcos altos não são o problema.

DDF: Como as suas lentes enxergam a atual cena underground?

Cada vez mais estão surgindo bandas novas, com objetivos, e outras sendo montadas apenas por diversão, no meu ponto de vista nenhuma esta errada, todos nós temos que correr atrás de sonhos, seja eles quais forem, mas creio que referente à cena atual, muita coisa poderia melhorar, mas tudo esta caminhando a galopes, vamos ver onde isso tudo vai dar.

Para conferir os trabalhos na íntegra do Mauricio acesse: Flickr | Site


LURINGA


DDF: Fotografar ao som de Deftones, Bad Religion, Emery é um grande privilégio. Como generaliza o som das bandas que você trabalha?

São bandas de rock acima de tudo. Independente do subgênero, não podemos esquecer que fazem rock, e isso que importa no fim. Ter fotografado essas e outras grandes bandas e no caso do DEFTONES que eu admiro, realmente foi uma experiência gratificante e que também ajudou a divulgar muito meu trabalho. Porem, eu me divirto muito mais trabalhando com meus amigos, acaba sendo muito menos cansativo e bem mais descontraído.

DDF: È visível que seu trabalho está se expandindo pela mídia por meio  não só de ensaios fotográficos como também de entrevistas, participações, produtos na internet. Aponte aos leitores do DDF qual a principais diferenças desses universos, Mídia e Underground.

Hoje em dia o underground tem uma mídia, própria, que cada vez é mais eficiente e mais dinâmica, isso é muito foda pra cena. O mainstream já tem isso fincado nas raízes, vive por causa da mídia e só tem proporção e prestigio por ser parte da mídia e almejar a cima de tudo dinheiro. Eu sou formado em publicidade, e uma das coisas que me ajudaram e ainda ajuda muito no meu trabalho é saber divulgar ele de uma forma eficaz e eficiente. Como profissional liberal eu tenho que buscar sempre elevar meu nome e o meu valor perante o mercado, e o mainstream me possibilita isso, pois é uma grande vitrine que leva minha arte longe. No UD eu faço isso, porem na devida escala. Logo, o preço que uma banda de grande porte paga é muito superior do que o cobrado de uma banda UD. Tento sempre buscar novas soluções para divulgar meu trampo, e acho muito valido estar presente em vários segmentos da mídia UD e ou mainstream como radio, revista, jornal, TV, internet e etc. não só com imagens feitas por mim, mas também com a minha própria imagem. Esse marketing pessoal funciona bem, e trás muito retorno.

DDF: Como as suas lentes enxergam a atual cena underground?

Penso que a cena agora está em um momento de transição máxima. Muitas bandas que por muito tempo dominaram o cenário alternativo agora estão em gravadoras de grande porte, fazendo a dita renovação do rock nacional, gostem ou não. As bandas UD de médio porte agora têm a grande chance de chegar no topo da cena e posteriormente evoluírem para a 1ª divisão do rock. Sedo assim eu acho que é o momento ideal para bandas se dedicarem ao máximo e criarem coisas novas, e trazer publico novo para a cena, sem esquecer de respeitar os que por ali já passaram.

Para conferir os trabalhos na íntegra do Luringa acesse: Flickr | Fotolog


Não importa o cenário, seja em uma garagem, em frente de um palco ou dentro de um estúdio de gravação, fotografar bandas é um trabalho muito mais sério do que parece e esses fotógrafos, o executam com muito prestigio e profissionalismo.
Comentarios (10) >>
...
escrito por claudio FROM HEAD on August 28, 2008

Porra Materia foda fodastica msm hj em dia o underground ta muito profissional e no segmento fotografia,mais profissa ainda as bandas tem dado bastante importancia a isso e acho nada mais justo q dar credito aos excelentes fotografos q vem fazendo um trampo dignoe colocando o Brasil na rota da mundial da fotografia principalmente pra bandas esses caras nao devem nada pros gringos

Fodastico!
escrito por Any on August 28, 2008

Mto Bom...
É admiravel o trabalho desses caras, um trabalho fuidiiidooo e um dom alem do normal...
e como disse o Claudio ai em cima...nada mais justo q dar creditos e divulgar o trabalho espetacular que eles fazem.

Parceiraaaaa...FUDIDO VIU!!


Parabens a tds!



...
escrito por karla on August 28, 2008

Interessante! Arrebentou na mátéria Rosa.

...
escrito por RICARDO on August 28, 2008

Muito bem elaborado, PERFEITO
Os Caras fazem um ótimo trabalho, tem que ser mais divulgado ainda.
Parabens Rosa
=]


Animal!
escrito por sanches.0 on August 28, 2008

Tudo muito foda!

Fotografia, matéria, enfim... Trampo loko!

Parabéns a todos!

Mto bom
escrito por Cindy on September 01, 2008

Rosália....vc me surpreende SEMPRE !!

Te amo...minha jornalista =)

muito bom
escrito por Elis on September 03, 2008

Rosa adorei sempre achei que tinha jeito pra coisa

e pode ter certeza vcs vão ouvir muito sobre está fantastica Jornalista


Consideraçõe
escrito por Toma na Cara on September 05, 2008

Entrevista muito boa essa, um excelente tema. Adorei.
Sobre os fotográfos acima acompanho a algum tempo o trabalho de alguns, o Luringa devido ao fasterdays, o TUX, desde a época da BUCvideos e os demais, ao longo fui descobrindo através de links e bandas. Sei que os mesmos fazem um trabalho sério e com compromisso, porém o fato de está em voga muitos desses fotográfos e outros como o Daigo Oliva, está criando um certo deslumbre nos muleque que querem comprar logo a melhor camera e achar que assim vai tirar boas fotos. Ninguem dessa gaçera começou assim, e não vai ser você que atingirá a melhor foto desse modo. Sou do Nordeste e vejo essa realidade também aqui, sorte termos fotográfos realmente comprometidos como o Fernando Gomes e até o David Campbell (mais novo na cena hardcore).

Excelente!
escrito por Maira Medeiros on September 10, 2008

Adorei a matéria e curti bastante o que a galera anda comentando por aqui. Concordo aqui com o cara ai de cima que disse que muita gente se dislumbra em ser fotografo e tals. Acho que o que fez desses caras da matéria serem bons, foi o não desluumbramento da coisa. Foi exatamente saber aprender com cada camera que passou nas mãos, e não ir logo pra camera mais foda e achar que vai tirar as melhores fotos. Não há duvidas que o melhor equipamento de fotografia é o que fica atrás da camêra, ou seja, o fotógrafo.

Parabéns
escrito por ErSo - PoMPeu on September 18, 2008

Parabéns pela matéria. Gostei muito.

Trabalhei com o Trezeta, citado na matéria, e gostei muito. Além de ser um ótimo fotógrafo, é muito gente fina.

Minha banda, chamada RedPhonE, está se preparando para gravações e com certeza iremos procurar o trabalho do Trezeta novamente para fotos promo.

Vlw e, novamente, parabéns pela matéria.

ErSo

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