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Peso, musicalidade e personalidade no cenário underground metal
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Por Alex Sanches   
24 de August de 2008


Já faz um bom tempo desde que as primeiras bandas de rock da história fizeram soar seus acordes distorcidos pela saturação de primitivas válvulas há pelo que se tem notificado, cerca de 60 ou 70 anos atrás. De lá para cá muitas coisas mudaram, não diria que tudo evoluiu como poderia, o mp3, por exemplo, é um avanço inimaginável, mas em termos de qualidade sonora, ainda fica em muitos aspectos à desejar.
O fato é que do ponto de vista artístico a situação é um pouco mais complicada. Os movimentos e tendências andam de mãos dadas às questões sócio-políticas que influenciando diretamente o nosso cotidiano, status e humor, acabam por provocar sensações, as quais nos vários pilares da história foram mostradas por símbolos e modas.


Exatamente como aconteceu em meados dos anos 40 a 60 nos Estados Unidos com Jack Kerouac e Neal Cassady, digamos os criadores entre tantos do movimento Beat, que com um sentimento voraz de estar em movimento e talvez para as autoridades da época, até hostil tratando-se do estado de guerra e pós-guerra, surgiu uma nova forma de pensar, compor, escrever, pintar e filmar dentre tantas outras vertentes existentes quando se fala em arte. Nos anos 90 como todos já sabem paralelo e seguinte ao grunge (não derivado – Que continua após o enfraquecimento do estilo com a morte de Kurt Cobain {1994}), nasce o New Metal musicalmente falando como frente de toda uma geração, que diria, muito corajosa em inúmeras formas reais e abstratas, sendo sobre a sonora que dissertarei.

 Analisando todos os elementos que compõe o maior estilo antecessor ao Metal Novo, ou seja o Trash Metal e comparando-os posso sem medo algum afirmar: O NM foi feito para quem não sabe tocar (Pensemos em técnicas). Como assim? Elementos como longos solos de guitarra foram substituídos por bases fortes e definidas ao completar de propostas. Cozinhas independentes foram incorporadas para agregar mais peso ao conjunto e buscar novos horizontes sonoros. E o vocal que antes lírico no sentido de ser mais melódico ou cantado, abriu espaço para lindas frases rasgadas e sussurradas. Onde chegar com isso... Não é preciso ser um virtuose ou um diplomado para criar novas cores tonais, Joey Ramone sabia disso e quando dizia que iniciou o projeto RAMONES porque não conseguia tocar DEEP PURPLE consolidava merecidamente sua imagem de gênio que foi.

Trata-se de um conhecimento mínimo do que é musicalidade, de como a idéia “composição” deve caminhar, do contexto e lógica que a mensagem deve passar. O que vemos hoje são muitos garotos e bandas escrevendo sem inspiração, falando de sensações presentes em seus lápis, mas ausentes em suas vidas. Temos as afinações mais baixas da humanidade, mas com poucas melodias dignas de serem aplaudidas e harmonias infantis que só soam grave o bastante para abrir uma roda de carência em um meio de consumidores tão mortos quanto.
Talvez o que falte, seja esperar um tempo para comprar aquele instrumento tão desejado e ir estudar um pouco, pois o gênio em si, aprende como todos sabem e depois faz do seu próprio jeito. Assim é e será por pelo menos gerações a diante, pois há uma exigência exorbitante nessa ação: O pensar. Não o copiar.
Como diria Jesse Leach, ex-vocalista de uma das bandas que carrega a bandeira do que se conhece como NWOAHM (New Wave Of American Heavy Metal) em Self Revolution:

-For a new movement!

Ou melhor, façamos-lo apenas com mais qualidade, pois a sensação de sair do chão ao término da contagem de um, dois, três, quatro é indescritível.
Comentarios (6) >>
...
escrito por avner264 on August 24, 2008

muito bom!

...
escrito por p/guay on August 25, 2008

falou tudo, curti!

O pensar!
escrito por Rosália Cipriano on August 25, 2008

Parabéns, muito bom!

Falou bonito
escrito por Osias on August 25, 2008

Olha cara, depois de sua resenha fiquei até emocionado com suas palavras profundas. Parabéns!

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escrito por Tomatti - CDB on August 29, 2008

Metal não é só afinação baixa.
Já passou da hora de amadurecermos como artistas que somos. Perceber que temos algo a dizer e dizê-lo sem medo.
Deixar de lado protestos vazios e explorar o que temos de melhor. Fazer como se cada compasso tocado fosse o último e trazer à tona a sensibilidade.
Telvez seja isso o que falta. Sensibilidade.
O músico estuda, usa técnicas e regras em primeiro lugar. Usa sua pífia sensibilidade como ferramenta e não como essência.
O artista faz o contrário. Diz o que tem que ser dito. Toca o que tem que ser tocado.
Sem excessos.
Sem carências.
Sem pensar.

...
escrito por Marcelo da Cruz Santos on September 01, 2008

esse pequeno trecho já diz muito por si só.
"O que vemos hoje são muitos garotos e bandas escrevendo sem inspiração, falando de sensações presentes em seus lápis, mas ausentes em suas vidas. Temos as afinações mais baixas da humanidade, mas com poucas melodias dignas de serem aplaudidas e harmonias infantis que só soam grave o bastante para abrir uma roda de carência em um meio de consumidores tão mortos quanto."

e o tal" reconhecimento da cena underground só amplifica esse cenário, temo por uma mercantilização do cenário, não pela massificação e pelo gosto das pessoas pela música (pesada) composta, mas pelo excesso de influência que essas pessoas sofrem e passam adiante ao apenas copiar um modelo, uma levada, uma melodia já existente, estamos realmente perdendo a nossa sensibilidade e não é por causa do barulho da microfonia...

Talvez seja hora de pensar e de mudar nossos conceitos...


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